segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mudança na carga horária escolar: quanto vale 50 minutos?


Nesta semana, numa matéria veiculada pelo jornal O Povo, mais um questionamento quanto à educação no Brasil foi levantado: Você é a favor da mudança na carga horária das escolas de 800 para 960 horas/aula? Esse era o título da matéria. O Senado já aprovou, o projeto agora precisa passar pela Câmara dos deputados e ser sancionado pela presidenta Dilma. A mudança na carga horária proporcionará o aumento de 50 minutos na rotina escolar das escolas de Ensino Médio e de Ensino Fundamental. Se realmente for aprovada, a mudança virará lei em 2014, tempo considerado suficiente para as escolas se adaptarem.
Diante da aprovação do senado, é preciso expor a eficiência e o quanto é importante essa decisão e se outras não deveriam ser postas em prática. Logo, pode-se afirmar, ela não deveria ter sido a primeira. Pensar-se numa educação eficiente não é aumentar o tempo de aula, mas aumentar-se a competência em geri-lo. De nada valerá 50 minutos a mais se esses minutos não são aproveitados.
O aumento da carga horária evidencia o quanto a educação brasileira tem se constituindo como uma verdadeira prisão intelectual. Não se assuste, leitor, se a palavra “prisão” é forte, mas ela é a que mais se adéqua ao que está sendo falado.  Há muito tempo a liberdade intelectual dos alunos é atrofiada, se massifica tudo, não se valoriza a criatividade individual, bem como a junção das individualidades. Os alunos estão perdidos dentro de si mesmos, não são estimulados a ir ao colégio, são obrigados; logo, é uma prisão, e com o aumento, os alunos são obrigados a pagarem mais 50 minutos de “pena”.
Além disso, aumentar-se o tempo é também aumentar a infinidade de números que compõem as estatísticas sobre a educação brasileira. Vivemos em uma guerra entre a quantidade e a qualidade, o Brasil se transformou em um número em série, e os números são falhos, maquiados. Não é a toa que mesmo sendo tão maquiados, ainda assim eles não são bons. E quando tirada a máscara, são ainda piores.
 Antes fosse melhorar o salário dos professores; melhorar as estruturas dos colégios; utilizar-se de forma mais coerente as novas tecnologias; pensar-se numa educação pautada na troca e formação de conhecimentos entre alunos e professores; pensar-se nas artes como estimuladoras do gosto de ir ao colégio e de permanência lá, artes como a dança, o teatro, a literatura, a música, enfim. Antes pensar em tantas coisas que vêm antes na ordem de eficiência.
E por fim, é válido lembrar, que não se defende aqui uma educação mesquinha e exageradamente sonhada, defende-se a educação que pode ser real, mas que tem esbarrado na realidade do Brasil. Por isso, aumentar a carga horária não serve, há muito a se fazer, e isso é muito pouco, pouco de mais para a dimensão de um país tão grande como o nosso.  
Gustavo Maciel

domingo, 29 de maio de 2011

O leitor como particípio da visão sócio-educacional

O seguinte texto foi redigido com cunho pessoal, todas as opiniões e/ou colocações aqui apresentadas são de total responsabilidade do autor, salvaguardando a neutralidade do "blog".

Diante do caos da educação, diante da venda nos olhos dos eleitos pelo povo para reprensentá-lo, diante dos ditames do sistema implantado na esfera cultural do ser humano que o faz abaixar a cabeça e seguir o que reza o famoso dito popular: "manda quem pode, obedece quem tem juízo.", e diante da escassez da valorização do ser humano, é digno de aplausos o feito no último dia 26/05/2001. Pois vê-se uma luz querendo abrilhantar-se em meio a esta escuridão forçada por "eles". Falta, somente, esperar o desfecho desta história, que apenas se inicia, e faz com que criamos a alegria de um novo arrebol.

Parabenizo o Ilmo. Sr. Prefeito, e digo que além de uma obrigação que é dá educação de qualidade aos seus jovens, foi uma grande jogada, só o que falta agora é lançar o edital de um novo concurso público, dando oportunidade as pessoas de terem, ao menos, um emprego com garantia e retirar da administração esta tropa de comissionados e prestadores de serviço. Pura politicagem! Mas não é de se espantar! Politicagem se faz na política, ou será que em outro lugar também???? Se houver, que Deus tenha dó da humanidade.

E para encerrar meu discurso, um tanto moralista, mas com um tom de alívio e preocupação (contradição?), não, apenas expondo os sentimentos dos vários lados dessa história, de forma geral eis o que penso da política atual, foto abaixo!

Fabiano Rocha
 

Você como escultor de nossa educação: participe!


 Cara amigo leitor, este espaço é todo seu, meu objetivo aqui é democratizar um espaço onde você possa colocar sua visão a respeito da educação de nossa cidade: conquistas (são muitas para o bem de nossa cidade), Falhas (temos muito a conquistar ainda). Qualquer que seja sua visão em relação à educação crie seu texto e envie para o e-mail do blog:valdecisousakf@gmail.com  afirmando que gostaria que fosse publicado. Espero sua contribuição, pois acredito que todos nós temos algo a dizer. Um forte abraço amigo leitor!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A ditadura ideológica que cala os professores.


Amigos leitores, nos últimos dias o vídeo da professora Amanda Gurgel está entre os mais acessados na internet, uma mulher forte e determinada na busca por melhorias na educação. Amanda fala na presença de deputados e secretários aquilo que todo professor gostaria de falar, mas a ditadura política e ideológica não permite. Então, vejamos neste texto por que outros professores não falam o que Amanda falou.
Em primeiro lugar amigo leitor, você já se perguntou por que a grande maioria dos professores não é concursado? A resposta é simples: um professor concursado não perderá seu emprego por lutar por seus direitos, não perderá seu emprego por fazer uma greve ou participar de algum movimento sindicalista.  Já o professor apenas temporário, esse sim poderá perder o emprego. Terá as mesmas contas para pagar no final do mês e depende do emprego, então é melhor ficar quietinho, mesmo que tenha uma imensa vontade de expressar sua revolta em relação às grandes injustiças com sua profissão. Contudo estará sempre na balança: falar a verdade e perder o emprego.
Aos nossos olhos tudo isso passa muitas vezes de forma despercebida, mas quem tem um professor na família bem sabe. Em nossa cidade, por exemplo, lembro muito bem que foi organizada uma passeata no ano de 2010 e apareceu uma pequena quantidade de professores, somente os concursados. Engraçado não é? Por que será que os professores contratados não apareceram? Será que eles não vêem nenhuma injustiça com sua profissão?
O que vejo caros amigos é um sistema bem planejado, que gira em torno de uma ditadura ideológica, onde se tira a voz do professor de forma chantagista, pois coloca em troca seu emprego. O professor tem contas a pagar no final do mês, ficando assim difícil querer perder o emprego. Então, antes de julgar os professores como uma classe desunida, devemos cobrar uma postura ética dos gestores, que comecem dando voz ao povo através de um emprego concursado e não em troca do silêncio.
Valdeci Sousa

Obs.: Caso não tenham visto vídeo de Amanda Gurgel acesse ao lado direito blog.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Enem e seu novo sistema de provas: uma prova de resistência


Inicialmente gostaria de esclarecer um pouco sobre o novo método de aplicação de provas do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), que passou a ser aplicado em 2009. É um método unificado, onde as Universidades utilizam as notas do Enem e não realizam mais seus próprios vestibulares. O aluno pode escolher cinco cursos diferentes em instituições diferentes, mas só poderá ser aprovado em um deles.
A novidade agora é que 2011 será o último ano em que a prova será aplicada uma vez ao ano. A partir de 2012 a prova do Enem será aplicada duas vezes ao ano. Segundo a presidente do Inep, Malvina Tuttman, a estrutura do Enem hoje é gigantesca, sendo realizado em “12 mil locais, 140 mil salas de aula e 1.599 municípios”.
Eu particularmente vejo que essa sistematização democratizou bem mais o ingresso do aluno de escolas públicas nas universidades públicas. Por outro lado, houve uma mudança absurda. Uma prova de 200 questões,  onde antes tinha-se 63 questões, não é um prova que avalie necessariamente se o aluno está pronto para ingressar na universidade. Isso é uma prova de resistência. Acima de qualquer avaliação está sendo avaliada a resistência física e mental do candidato.
Além disso, o fato da prova ocorrer em dois dias, traz um forte risco para o aluno que foi bem no primeiro dia de prova.  Por algum motivo poderá perder a prova do dia seguinte, ou não ser tão bom por qualquer outro motivo do seu dia-a-dia. Além do mais,o índice de pessoas que não comparecem no segundo dia de prova é enorme. Na maioria das vezes, por se achar vencido pela enorme prova do dia anterior.
Quem sou eu, para aqui dizer que todo o sistema do Enem é um sistema deficiente. Mas o que vejo é que inúmeras decisões são tomadas sem que os senhores do poder conheçam a realidade de nossos alunos. Decisões como essas deveriam partir da visão dos próprios candidatos e professores, pois esses sim sabem bem a realidade das escolas. 
Valdeci Sousa